Como as indústrias mais maduras digitalmente usam a Data Science – Parte 1

Estamos conversando há bastante tempo aqui no blog que as tecnologias emergentes, como as técnicas de Data Science, estão redesenhando nosso mundo e a forma como nos relacionamos. Obviamente, a maneira como consumimos também está mudando de acordo com as tecnologias. E se o consumidor muda, os negócios não podem ficar no passado. 

A transformação digital já não é mais uma opção para as empresas que querem ser competitivas no mercado, é uma necessidade. E foi-se o tempo em que apenas os setores de tecnologia e comunicação precisavam se atualizar. Hoje, a transformação é imprescindível para qualquer tipo de negócio. Mas quais são as indústrias que estão na frente no quesito digital? 

Tentando responder a essa pergunta, a Dell Tecnologia, em colaboração com a Intel e com a Vanson Bourne, criou o Índice de Transformação Digital. Foram entrevistados 4.600 líderes de empresas espalhadas por mais de 40 países, com o objetivo de analisar em que pé está sua transformação digital e quais são os seus maiores investimentos na área de tecnologia. 

Em nosso artigo anterior, você pode ler mais detalhes sobre a pesquisa e o progresso digital das empresas pelo mundo. CLIQUE AQUI.

No artigo de hoje, focaremos no fato de que a transformação digital precisa ocorrer em todos os segmentos, mas obviamente ela não ocorre na mesma velocidade e nem da mesma maneira em todas as áreas. Em alguns setores, a transição ocorre mais rapidamente, por eles já serem intrinsecamente conectados ao uso de tecnologia, como o setor de telecomunicações. Em outros, como a indústria de manufatura, a adesão é mais lenta. 

Essa transição pode ser diferente até mesmo entre as empresas que fazem parte de um mesmo setor, como é o caso do varejo e das finanças no Brasil, segundo uma pesquisa da Capgemini, de 2016. 

Primeiro, vamos recapitular o que é a transformação digital: 


Conforme a pesquisa, os setores com maior transformação digital em 2018 eram: 

Mas a pesquisa mapeou 12 setores de mercado, e para mostrar como a transformação digital é possível em todos eles, vamos compartilhar alguns exemplos de como novas tecnologias estão sendo utilizadas para melhorar os serviços oferecidos aos consumidores. 
Apresentaremos alguns exemplos na ordem de mais madura para a menos madura, segundo o Índice de Transformação Digital Dell.

1º – Setor de Telecomunicações

Empresas de telecomunicações são aquelas que detêm a concessão ou autorização para prestar serviços como telefonia fixa, comunicações móveis e de multimídia, serviços de acesso à internet, TV por assinatura, radiodifusão, entre outros.  Vamos ver como algumas empresas estão aderindo à cultura digital abaixo:

A Vivo iniciou o processo de transformação digital com uma mudança de cultura, que englobou adotar uma metodologia de trabalho muito usada no Vale do Silício, conhecida como Squads. Ela consiste na formação de  equipes multidisciplinares que agilizam o desenvolvimento dos produtos digitais. 

A metodologia foi implantada primeiramente nas áreas que lidam com tecnologia e inovação, mas a ideia é expandir o sistema para 80% da empresa futuramente. 

A Área de Estratégia Digital da empresa definiu quatro pilares para as iniciativas digitais: Canais Digitais, BI e Big Data, Produtos Digitais e Inovação e Empreendedorismo. 

Vamos destacar dois pontos, começando por Business Intelligence e Big Data. O time desse setor tem mais de 120 pessoas, que coletam e filtram os dados dos clientes, como forma de acesso, consumo e tempo

Outro projeto digital bem-sucedido da Vivo é a atendente virtual Vivi, que realiza cerca de 500 mil atendimentos mensais, meio milhão a menos na rotina dos call centers.

Sendo uma das maiores empresas de telecomunicações do Brasil, o problema de irregularidade na distribuição de acessos de banda larga não poderia continuar acontecendo. Então, a Telebrás resolveu utilizar estratégias de Big Data e Business Analytics para mapear em tempo real onde estão as demandas existentes e onde será necessário construir novas redes.  O mapeamento também possibilita a segmentação de mercado e personalização de ofertas, e antecipação da viabilidade técnica para novas redes. 

A empresa também focou em estratégias de distribuição de leads altamente qualificados aos vendedores em tempo real, através do celular do vendedor. 

2º – Setor de Tecnologia

O setor de tecnologia já está mais acostumado à transformação digital, já que ele próprio é um fator que permite que empresas de outros segmentos implementem o digital em suas rotinas. Mas isso não quer dizer que que as próprias empresas do segmento não possam se beneficiar com recursos que a transformação digital traz para os processos, serviços e produtos de um negócio. 

A Maplink é uma empresa brasileira de soluções em logística e otimização de rotas, ou seja, ela digitaliza mapas (explicando de forma simplificada) para serviços de geolocalização de empresas e consumidores. Ela é, inclusive, a maior revendedora do Google Maps no Brasil.

Com isso, a empresa realiza diagnósticos precisos do trânsito da cidade para apontar pontos de lentidão, possíveis alternativas e rotas de fuga.

A Precifica é uma empresa especializada em soluções de preços para e-commerce de diversos setores do varejo. Conforme o consumo por esse tipo de plataforma aumenta cada vez mais no Brasil, é importante manter as estratégias de preço e concorrência na mesma velocidade da internet. 

A empresa então criou uma solução inteligente para as lojas on-line. O objetivo do serviço é alterar os preços dos produtos automaticamente, de acordo com as oscilações do mercado e dos concorrentes, por meio da coleta de dados de compras dos consumidores. Além disso, a Precifica também monitora valores de frete, auxiliando as lojas virtuais a determinar a melhor política de entregas e remessas, facilitando ainda mais a implementação de uma cultura digital no varejo. 

3º – Serviços Financeiros

No mercado financeiro, as instituições estão tão avançadas no processo de transformação digital, tendo até empresas de serviços financeiros que nascem digitais, sem atendimento físico. Segundo uma pesquisa da Capgemini, que entrevistou 33 instituições, 

O Bradesco é um dos maiores exemplos no que diz respeito a propagar a cultura digital em um dos setores com os modelos de negócios mais tradicionais, o financeiro. Segundo a consultoria E-consulting Corp, o Bradesco foi eleito líder entre cem instituições financeiras registradas no Banco Central,  na implementação de evidências e elementos da transformação digital. 

Duas iniciativas se destacaram: o Next, bando digital criado pelo Bradesco para competir com as fintechs, e o projeto Habitat, um espaço de coinovação criado para apoiar outras iniciativas de inovação bancária. 

O banco está se adaptando também às demandas das gerações mais novas, já nativas digitais. O aplicativo do Next, por exemplo, terá ferramentas que auxiliam os clientes na tomada de decisões financeiras, podendo criar objetivos e um orçamento mensal, e até organizar as populares “vaquinhas”. 

Através do uso de uma plataforma de análise de dados, o Santander reforçou ainda mais suas estratégias de prospecção de clientes de alto potencial. Assim, foi possível aumentar a base de empresas correntistas com maior potencial financeiro, além de oferecer oportunidades para os já clientes, apoiando o time comercial das agências. 

O resultado foi alcançado através do cruzamento de dados do próprio banco, com fontes externas, incluindo informações sobre faixa de faturamento, raio de atuação por agência e clientes pré-aprovados. Com os dados precisos das necessidades e interesses dos clientes, marketing e vendas personalizaram as ofertas de cada caso, aumentando as chances de fechar negócio, fechando mais de 2,2 mil novos clientes em um ano.

Além das ações realizadas nos bancos tradicionais para que ofereçam serviços digitais e iniciem a transformação, algumas instituições de serviços já estão nascendo digitais. São as chamadas fintechs, das quais um dos destaques é o Nubank. 

Fundada em 2013, oferece um cartão de crédito sem taxa de anuidade, com juros menores que os dos bancos e utiliza um aplicativo por onde os usuários controlam as compras e seus limites em tempo real, sem nenhuma fatura impressa. 

A equipe é treinada e qualificada, resolvendo o problema do cliente com certa leveza e informalidade, porém com eficiência e rapidez. A empresa revelou que já recebeu mais de 2 milhões de solicitações do produto. 

Em 2017, a Nubank inovou mais uma vez e passou a oferecer uma conta corrente totalmente online, que também tem taxas menores e a mesma qualidade do serviço, sem a burocracia do banco físico. 

4º – Ciências da Vida

Em português, o termo “life sciences” ainda precisa de uma tradução exata, pois tem um amplo significado. A área combina conhecimento de biologia, farmácia e química, e desenvolve tecnologias que serão aplicadas a organismos vivos e sistemas biológicos, assim como na fabricação de bens. No quesito digital, ela pode envolver até mesmo grandes empresas de tecnologia como a Apple, que lançou um produto de eletrocardiograma em um de seus modelos do Apple Watch. 

O investimento em tecnologia e estratégias digitais nesse setor vai desde a produção de equipamentos mais sofisticados para a medicina, a melhora nos diagnósticos de doenças, até a aproximação das empresas de planos de saúde com seus clientes. Vamos conhecer alguns casos: 

A Merck KGaA é uma empresa alemã da indústria química e farmacêutica, que se tornou um negócio global de 40 bilhões de dólares, operando em 140 mercados no mundo. Ao utilizar dados coletados do ERP e sistemas centrais de fabricação e controle de estoque para obter insights do negócio, os empresários da Merck perceberam que a maior parte do esforço, cerca de 80%, era utilizado apenas para encontrar, acessar e ingerir esses dados de cada projeto, e não nas análises para obter melhores resultados comerciais. 

Então, surgiu o MANTIS (Manufacturing and Analytics Intelligence), um sistema de armazenamento e processamento de dados que consegue lidar com dados estruturados e não estruturados vindos de várias fontes, incluindo texto, vídeo e mídia social. 

Com o novo sistema de Data Science, o tempo e o custo geral de projetos de análise de TI da Merck foram reduzidos em 45%. Quanto aos resultados comerciais, o tempo médio de entrega reduziu em 30% e os custos médios de estoque tiveram uma redução de 50%.

A Tismoo é a primeira startup de medicina personalizada do Brasil. Isso mesmo, ela é especializada em testes de sequenciamento genéticos para casos de autismo e doenças neurogenéticas. Também conhecidas como biotechs, as startups de biotecnologia estão cada vez mais presentes no setor. 

Além dos serviços de mapeamento e aconselhamento genético, a Tismoo oferece também o monitoramento e análise das novidades na literatura médica mundial relacionadas ao autismo. 

O principal desafio do Hospital Samaritano era melhorar a gestão do relacionamento com os pacientes, médicos, fornecedores e operadoras de saúde. Com a contratação de uma ferramenta digital de CRM, hospedada em nuvem, o hospital agora consegue conectar e engajar todo o ecossistema. 

5º – Mídia e Entretenimento

No setor de mídia e entretenimento estão colocadas uma gama enorme de tipos de negócios, desde a indústria de livros, jornais e revistas, televisão, produções audiovisuais como séries de TV e filmes, a indústria fonográfica, até provedoras de TV a cabo. É uma das indústrias que mais sofreu com a chegada do digital e finalmente parece estar compreendendo que precisa incorporar o digital em sua cultura, e não lutar contra ele. 

Entre as 10 maiores empresas de mídia, segundo a FORBES, estão Walt Disney, CBS, Comcast (dona de várias produtoras audiovisuais), 21st Century Fox, Sky e Viacom, só para termos uma ideia do porte de alguns negócios desse setor. 

A Disney estava perdendo a satisfação de seus usuários, acredite se quiser. Então, a empresa investiu em um pacote de produtos para melhorar a experiência do cliente. 

Foi lançado o MyMagic+, que consiste em um site, um aplicativo mobile e uma pulseira. Tanto pelo site, quanto pelo app, o cliente planeja e reserva o itinerário pelos parques do Disney World. Ao garantir a reserva, as MagicBands são enviadas para a casa dos consumidores. Elas são pulseiras com um chip de identificação que servem como chave do quarto do hotel, ingressos de entrada, carteira e FastPass. 

Além de facilitar a vida do visitante dos parques, a pulseira vai rastrear e analisar o comportamento do consumidor, oferecendo uma experiência personalizada durante a visitação.

Outra situação que o dispositivo identifica é se o cliente está enfrentando uma fila muito longa em alguma das atrações. Nesse caso, alguns personagens são enviados para distrair os visitantes ou mesmo encaminhá-los para uma atividade menos lotada naquele momento. 

6º – Saúde Privada

A área da saúde privada é uma das que mais podem ser beneficiadas não só pela tecnologia, mas pela cultura digital dentro das instituições que cuidam de pacientes. Mas, apesar de algumas organizações de saúde, como o Hospital Albert Einstein, já estarem bastante à frente em relação à transformação digital, ainda existem outros hospitais ancorados em modelos de atendimento tradicionais e off-lines. Isso significa que muitos paradigmas ainda precisam ser quebrados no setor. 

Entre as principais questões que já podem ser solucionadas com a tecnologia estão: 

Para o futuro, profissionais especializados na área indicam que será possível pensar em saúde populacional, com dados e processos suficientes para atingirmos uma saúde personalizada e preditiva. (Vide o exemplo de empresas como a Tismoo). Além disso, sairemos de um modelo de saúde focado em hospitais para um com mais cuidado de transição, cuidado em casa, nas empresas e em outros lugares (vide a Telemedicina que vem se estruturando e tomando espaço). 

O prontuário eletrônico (PEP) é uma das soluções tecnológicas de coleta de dados já utilizadas em hospitais pelo Brasil. 

Para isso, foi montado um grupo assistencial de profissionais médicos que entendia e conhecia muito bem os processos hospitalares. Esse grupo participou ativamente do projeto por 30 meses, sendo responsáveis pela redução da resistência na adoção do novo modelo. 

O hospital também incentiva o pensamento no digital, aumentando a cultura de tecnologia entre seus funcionários: foi criado um fórum que auxilia colaboradores com boas ideias para a transformação digital a como viabilizar tecnicamente suas propostas, por meio de um grupo de apoio de especialistas em TI e engenheiros. 

Tem uma empresa em qualquer um desses setores e gostaria de avaliar como é possível iniciar o processo de transformação digital nela? A Propus pode ajudar! Entre em contato e comece a mudar a cultura digital do seu negócio através da análise de dados: 

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