A maturidade digital e a transformação digital caminham lado a lado. No entanto, o primeiro termo não é sinônimo do segundo, e pode ser que mesmo uma empresa digitalizada não tenha o grau máximo de maturidade.

Neste artigo você vai entender por que essa diferença e como identificar o nível da sua empresa.

A utilização de dados para mensurar resultados é uma prática comum no ramo corporativo, nos mais diversos segmentos. Entretanto, algumas empresas ainda não os utilizam para nortear suas ações, automatizar processos, escalonar performance e, claro, obter mais resultados.

Maturidade digital é a nomenclatura utilizada para classificar o nível de entendimento e interesse em dados durante o processo de tomada de decisão.

De acordo com Christopher Penn, em seu artigo The Evolution of the Data-Driven Company publicado em 2016, as empresas que não possuem dados como seu core business, ou que não são orientadas por dados desde o princípio, levam um certo tempo para evoluírem em sua cultura e estratégia, sendo essa uma jornada que pode levar anos para se concretizar. 

Ainda de acordo com Penn, as decisões tomadas por organizações com maturidade digital elevada buscam encapsular os dados e responder perguntas como:

  • O que aconteceu?
  • Por que aconteceu?
  • E o que vem a seguir?

Todas essas informações são apresentadas em declarações claras e concisas que indicam a próxima ação a ser tomada.

Portanto, para que possam ter as bases necessárias para nortear seus processos, as organizações utilizam ferramentas e metodologias que potencializam sua atuação. É o caso de tecnologias como Inteligência Artificial, Machine Learning e Big Data. 

Para se tornarem negócios orientados por dados, as empresas evoluem gradativamente por meio de cinco estágios:

  • Resistente a dados;
  • Curiosa por dados;
  • Reconhece os dados;
  • Conhece os dados;
  • Orientada por dados;

Confira a seguir as principais características de cada um dos níveis.

 

Resistente a dados

A história é conhecida. “Nós sempre fizemos desse jeito”, “Se mudar, estraga”, “Não se mexe em time que está ganhando” e tantas outras frases de efeito utilizadas por empresas que possuem resistência de abraçar o novo e avançar em caminhos inovadores.

As organizações geralmente começam como resistentes a dados por vários motivos. Alguns deles são:

  • Os dados podem descobrir problemas ocultos de desempenho;
  • Os dados podem destacar contribuições individuais politicamente difíceis;
  • Os dados podem minar a mensagem / marca;
  • Os dados podem mostrar que a organização tem uma estratégia desalinhada;
  • Normalmente a evolução para o próximo estágio começa de forma desordenada e por iniciativa individual.

A empresa resistente a dados se encontra no grau mais baixo de maturidade digital.

 

Curiosa por dados

Nesta categoria, a empresa já identificou que dispõe de vários dados e entende que eles têm valor, mesmo que esse valor ainda não seja explorado.

As empresas curiosas por dados se concentram na coleta de bases e geralmente identificam o valor potencial dos dados por meio de seus diversos sistemas:

  • Site na Web
  • Análise de mídia social
  • Automação de CRM / força de vendas
  • Sistemas ERP
  • Planejamento e contabilidade financeira

De acordo com Penn, empresas neste nível se fazem as seguintes perguntas: O que há nos dados? Que riqueza eles podem conter? 

 

Reconhece os dados

Neste nível, as empresas trabalham para extrair qualquer tipo de valor dos dados, tentando entender o que eles podem trazer de insights para os processos. Empresas que estão nestas categorias costumam utilizar ferramentas como:

  • Bases de dados e Data Warehouse
  • Análise de dados
  • ETL (extrair, transformar e carregar)
  • Computação em nuvem e sob demanda

De acordo com Penn, este é o momento em que as organizações começam a fazer descobertas com base em seus dados. Elas conseguem perceber qual estratégia não funciona e qual deve ser potencializada, utilizando os dados como referência para essas decisões.

Entretanto, esse estágio passa uma falsa sensação de dever cumprido.

Os resultados obtidos neste estágio acabam, muitas vezes, por manter a empresa presa, pois uma vez que as vitórias táticas satisfazem os interessados, isso dificulta os investimentos para evoluir ao próximo estágio.

O gatilho para o próximo estágio de maturidade digital ocorre pela constatação dos valores gastos com um conjunto de fornecedores e ferramentas envelhecidas.

 

Conhece os dados

Neste estágio de maturidade digital, a empresa percebe que o valor dos dados não é apenas tático, como também podem ser um ativo estratégico.

Para desenvolver essa percepção, uma empresa que conhece os dados continua seu investimento no “o quê”, mas depois volta sua atenção para “o porquê”, buscando desenvolver insights importantes para sua jornada de transformação digital.

Alguns exemplos:

  • Por que as vendas caíram no último trimestre?
  • Por que os consumidores compraram menos do nosso produto?
  • Por que a geração de leads disparou na quarta semana do mês?
  • Por que X funcionou, mas Y não?

 

Nenhuma ferramenta ou fornecedor substituirá a análise interna.

Portanto, mesmo quando utilizamos itens externos para auxiliar no processo de automação e ampliação de performance, nada deve substituir a análise interna dos dados para criação de insights valiosos.

Ainda de acordo com Penn, a transição para uma organização orientada a dados ocorre depois que a empresa aprende a desenvolver insights concretos sobre o que aconteceu e por quê. Depois de entregar essas ideias aos stakeholders, sua primeira pergunta deve ser: “Ok, então o que você fará sobre isso?”.

Esse é o gatilho para se tornar uma empresa orientada por dados.

 

Orientada por dados

Como já mencionado, para as empresas orientadas por dados essas informações são um ativo estratégico que alimenta todas as principais decisões. Esse é, portanto, o maior grau de maturidade digital.

Na definição de Penn, em uma organização realmente orientada por dados, todas as reuniões de planejamento começam com dados e nenhuma decisão é executada sem uma estrutura de governança para coletar e analisar essa decisão.

 

Portanto, a maturidade digital é diferente de uma empresa digitalizada.

Como apresentado nos níveis de maturidade digital, utilizar ferramentas digitais avançadas ou transformar todos os processos internos da empresa em processos digitais não significa, necessariamente, uma maturidade digital que se encaixe na definição de orientada por dados.

Esse é um processo contínuo de transformação digital que a sua empresa precisa se adequar. Entender a atual realidade da organização e criar mecanismos para evoluir em sua qualificação é a forma de potencializar resultados a médio e longo prazos. 

Quer entender o estágio digital em que a sua empresa está?

Entre em contato com nossos especialistas e saiba como a Inteligência Artificial pode auxiliar a sua organização a alcançar o maior nível de maturidade digital e a alta performance.